Nao…dessa vez ele ganhou…ok?

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Um mundo que não aceita frustrações

Por vezes me pego incomodada com algumas atitudes que vejo por aí, e hoje vou falar de uma relacionada à educação (no sentido de formação de caráter) infantil. Na década do “politicamente correto” parece haver um excesso de proteção aos pequenos, no sentido de que os adultos evitam ao máximo que eles entrem em contato com sentimentos “ruins”.
Coloco ruins entre aspas porque questiono essa classificação. Só porque algo não é conveniente ao ego não quer dizer que não tenha sua função. E assim vejo por exemplo as escolas promovendo jogos entre turmas, em que no final todos ganham medalhas. Ora, será que não estamos exagerando na política de merecimento gratuito de nossos filhos?
Com sinceridade vamos responder à essa pergunta: na vida é possível que um indivíduo realize coisas sem esforço ou habilidade naquilo que faz? Me parece que via de regra não. Então porque estamos emulando um mundo irreal aos nossos pequenos? Um dia eles vão crescer e vão ter que em alguma medida se adaptar à um mundo que também via de regra não dá nada de graça pra ninguém. Se você quer que seu filho seja capaz de realizações e de autonomia ele precisa entender a política do dever.
Até porque quando ganhamos tudo dos outros uma parte nossa se satisfaz, mas outra sente-se incapaz. Proporcionar auto-estima para as crianças não se faz apenas por presentes, roupas bonitas e elogios. Até porque esse tipo de estima fica sempre dependente do olhar do outro. Se faz principalmente pela senso de capacidade de realizar e de amar e ser amado que um indivíduo pode ter.
Em algum grau, para que a criança possa crescer e transformar-se em um ser autônomo, há que se sacrificar em parte o instinto materno. O que quero dizer com instinto materno não é só aquele que brota nas mulheres que tiveram filhos, e sim em qualquer um de nós que deseja sempre providenciar tudo e proteger o outro do “sofrimento”. Seja esse outro filho, marido, esposa, amigos, alunos, pacientes, etc…
Proteger o outro é um ato de amor muito bonito, mas quando o privamos de seu crescimento perdemos o entendimento do nosso papel enquanto guias e orientadores para que essa vida possa florescer independente de nós.

GRUDE? QUEM? EU?

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Pela defesa de quem só quer se relacionar e é acusado de ser grudenta

Já ouvi muitos homens, mas principalmente mulheres dizendo que foram acusados de grudentos ou carentes em seus relacionamentos, é preciso esclarecer algo importante sobre o assunto.

Demonstrações de afeto, elogio, apreciação, cafuné me parecem os princípios básicos de um relacionamento. Precisamos disso nos primeiros anos de vida e em todos os seguintes, carinho sempre vai bem.

Para algumas pessoas no entanto isso tudo é exagero, está implícito, é óbvio, não precisa ser dito ou demonstrado. A verdade é que essas pessoas sofrem de um bloqueio emocional bem acentuado em que dar e receber carinho machucam suas defesas emocionais.

Como toda criança elas já adoraram dar e receber carinho, já foram chameguentas, mas em algum momento passaram a não receber o afeto que mereciam, aquilo as feriu, elas endureceram, fizeram um pacto silencioso de nunca se deixarem precisar de alguém novamente. Elas não precisam de outros para não correr o risco de pedir e não receber, seria algo degradante. Isso é um tipo de frieza defensiva, de quem se encolhe para não machucar, para muitos isso é chamado de egoísmo, mas chamá-las de egoístas apenas agrava o quadro, pois se pudessem confessar lá no fundo não gostariam de ser assim. Na intimidade do egoísta ele gostaria de confiar, amar, se abrir, mas perdeu a fé em si e nos outros.

Quando ele recebe carinho de alguém, ao invés de admitir para si mesmo que ele tem uma trava, um temor, uma vulnerabilidade ele cria uma atmosfera de culpa em quem o elogia e acaricia, “para de ficar no meu pé sua carente”. Ele tem dificuldade em ser demandado, de notar que sua presença é importante, ser necessário o sufoca.

Mas essa claustrofobia é defensiva, ele tem medo de intimidade porque ao ficar no elevador com a pessoa amada não terá como fugir de si. No lugar estreito de uma conversa sobre relacionamento ele não saberá o que dizer, verá seu castelo de defesas enfraquecido, não terá argumentos para justificar sua frieza, seu distanciamento e sua imaturidade.

O que ele vai fazer? Alegar carência da outra parte, sem ao menos se dar conta que depois de tantas demonstrações de insensibilidade e frieza não há quem não se sinta com a boca seca de amor. A reação de tanta frieza cria no outro um buraco, uma carência que não é exagero, mas uma reivindicação honesta de afeto. Nos primeiros momentos da paquera a pessoa fria, na tentativa de conquistar, se mostrou mais afetuosa, mas depois com o tempo se recolheu em sua defesa emocional. A “carente” um pouco iludida no começo por aqueles esforços iniciais passa o resto da vida pedindo aquele mesmo homem que conheceu, mais carinhoso, mais falante, mas aquele só existiu porque está buscando um vínculo amoroso, era uma comportamento de exceção, a regra e dura, seca.

Portanto, se você já ouviu alguém chamar você de carente, pode ser que só tenha sofrido uma manobra bem desonesta, ainda que inconsciente, para não deixar entrever o quanto ela tem sérios problemas em dar e receber amor.